Um mergulho raso pelo racismo científico

Ei psiu! Você mesmo que está passando reto por este post! Volte aqui! Sério.

Leu o titulo da publicação, e pensou nossa, vai falar difícil, vai ter história, detesto. Mas falar sobre o que aconteceu é preciso, até porque ainda hoje isso se reflete em nossa sociedade. Dá pra facilitar? Dá sim. Olha, eu sempre detestei beterraba, mas eu precisava comer, então minha mãe batia o suco dela e misturava na gelatina. Já melhorava muito para mim. Então vou tentar seguir a mesma linha, vamos bater um papo bem informal tá?

O que foi esse tal de racismo científico? Bom, os caras (brancos europeus) tentaram justificar o racismo pela ciência! É isso mesmo, tipo eu branco, sou superior à outras ditas raças, e vou provar isso cientificamente. Eles defendiam que a distância entre duas raças seria a mesma coisa que à distância entre dois animais diferentes. Como se um branco fosse um cavalo, e um negro fosse um sapo por exemplo. E se basearam nestas idéias para justificar o imperialismo, ou seja o branco colonizou e subjugou outros povos, dizendo que o motivo era por serem superiores.
Vou citar à contribuição de alguns deles para a afirmação dessas ideias absurdas:

Titio Lolo, também conhecido como Lourenço Filho (1897-1970), foi um educador e pesquisador brasileiro, que concluiu em suas pesquisas, que havia uma relação entre cor de pele e velocidade de aprendizado. O que? Isso mesmo que vc leu, crianças pretas e indígenas, possuíam um déficit natural em relação às brancas; eram mais lentas, e por isso deveriam ficar em salas separadas. E baseado nisso, algumas medidas foram tomadas no Brasil.

Não posso esquecer de Cesinha, também conhecido como Cesare Lombroso (1835-1909) um cientista italiano que em seus estudos em antropologia criminal, concluiu que raças inferiores, como negros e índios teriam maior propensão a cometer crimes! Era algo biológico e não social. Inclusive escreveu as características físicas que os oficiais da lei tinham que considerar, e afirmava que essas pessoas deviam ser presas antes de praticarem algum ato infrator. Sabe à expressão cara de bandido? Então.

E como não amar Arthurzinho!! Se vcs não são íntimos podem ter ouvido falar dele como Joseph Arthur Gobineau (1816-1882) foi um filósofo francês, que veio para o Brasil, (era unha e carne com dom Pedro) e deu uma analisada na situação. Ele já havia escrito um ensaio sobre à desigualdade das raças humanas, e concluiu o seguinte:

Que em 200 anos seria o fim do Brasil, caso não existisse um branqueamento da população. Sabe porque? Estava havendo tanta miscigenação com os pretos, que iria surgir um ser humano tão inferior, que não iria conseguir sobreviver. E o abusado não parou por aí! Vou transcrever as palavras do mesmo:

” Uma população totalmente mulata, viciada no sangue e no espirito, e assustadoramente feia.”

Sim, chamou a gente de feio. Vou colocar a foto do bonito aqui ai em cima. Risos.

Tá aí ainda? Vou concluir. Com isso eu quero chegar que os estereótipos e inverdades racistas foram construídos ao longo do tempo, e propagados com apoio da ciência. Vc pode achar um absurdo, mas estes homens eram tidos em grande estima, e suas ideias eram aceitas como reais. Então daí vem o preto sem capacidade intelectual, o preto que tem tendência à cometer crimes, o preto que é feio, e continua… Nossa Alessandra, mas isso faz séculos, nada a ver ficar falando do passado! Vamos falar de coisas boas! Não. Dá uma olhada nas datas aí em cima, foi agora! No governo do Vargas aconteceu muita coisa baseada em teorias desse tipo, ou seja o racismo que nossos avós sofreram tinha base ‘cientifica’. E ainda hoje há pessoas que pensam e acreditam nisso.

Além do que, o preto que não sabe sua própria história, ainda é um escravo.

Por: Alessandra Eduardo

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1 comentário

  1. Esse texto me fez lembrar de uma cena do filme “Django, livre” (com Jamie Foxx e Leonardo Di Caprio). Em tal cena, o personagem do Di Caprio faz uma demonstração da diferença entre o cérebro de um branco e um negro a Django e seu amigo justificando algumas “verdades” (à la Foucault) sobre a potencialidade intelectual de ambos.
    Mas, pensando no hoje, especificamente no que vivi(o), noto o ressoar dessas (in)verdades sobre nós. Vou falar de uma época recente, a graduação. Percebi que muitas das minhas professoras (maioria da classe) demonstravam certa admiração por mim. Algo observável. Minhas notas não eram ruins e eu fui um aluno participativo na maioria das aulas.
    Contudo, comparando o tratamento destinado a mim por professoras e colegas – brancas -, e o destinado a alguns colegas, senti que a possível admiração destinada a mim tinha um “plus”: eu não era um aluno convencional, como os demais (cor de pele), mas estava cursando um curso tecnicamente meio nobre (Psicologia) e tinha um ótimo desempenho acadêmico. Eu recebia sorrisos e atenção ao falar, talvez porque desviava da norma tácita e implícita sobre meu potencial. Admiração por eu ter chegado lá, quando antes terminar o ensino médio era digno de parabéns.

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