Dandara vive!

– ..e os negros são descendentes de escravos. Vc que levantou a mão pode perguntar.
– Professora, eles não lutaram contra, não se revoltaram, não fizeram nada?
– Então, até teve um Quilombo que ficou conhecido..mas não deu muito certo não.
– Entendi.

MENTIRA. MENTIRA. Cara, eu deveria ter ido brincar de amarelinha nas aulas de historia.Essa branquitude tá de sacanagem.. Respirei. Foquei. Pronto. Volta aqui que vamos conhecer mais uma mulher preta guerreira( e no sentido mais literal da palavra).

Abram a roda! Isso, encostem bem na parede, que ela pode chegar dando um mortal no ar! Que? É. Recebam com reverência, ela:
DANDARA DOS PALMARES

Primeiramente vamos saber em que contexto ela viveu: Nos escassos registros que temos datam entre 1664- 1694.Ta ouvindo? Sim. O estralo do chicote. Era o Brasil colonia, período escravocrata. Ser negro aqui era:

Acordar antes do amanhecer, se por em fila pra receber um gole de cachaça e uma xícara de café, como REFEIÇÃO da manhã e partir para o trabalho que durava entre 13 e 18 horas diárias. Tudo isso regado a muito castigos que poderiam ser pelo motivos mais banais, inclusive tédio ou mesmo sadismo dos senhores e feitores. Vou citar alguns:
– Os açoites, o negro era chicoteado até a carne se abrir em sangue, frente á uma multidão que aplaudia excitada. Sim eles se divertiam.
-Fratura dos dentes a marteladas, castração, mutilação, estupros. No sul do Brasil era comum pendurar negros nus de cabeça para baixo, untar de mel e salmoura para os insetos e bichos atacarem.

Nesse show de horrores teve muito mais. Dandara assim como outros negros não aceitavam essa condição! Não! Nascemos livres! Somos livres! Nossa cor não nos fez inferior aos brancos!

O jeito era fugir, muitos conseguiram e deram início aos Quilombos, que eram comunidades altamente organizadas estruturadas, armadas e protegidas. O mais famoso foi o de Palmares, resistiu por mais de 100 ANOS! Chegou a ter mais de 30 mil negros! E as profs ainda falam que não deu muito certo..
Pois bem, é neste lugar que Dandara fez história. Além de esposa de Zumbi, o grande líder desta comunidade, com quem teve 3 filhos, ela era:
– Curandeira (cuidava das crianças com anemia, dos idosos, dos que chegavam feridos dos maltratos dos senhores.
– Trabalhadora braçal (plantava e colhia, trabalhava na produção de farinha de mandioca).
– Líder guerreira (empunhava armas e ia como frente do exército do quilombo).
-Treinadora e capoeirista (treinava os quilombolas para os ataques)
-Estrategista de guerra.
Sim. Pode falar: Que mulherão da porra! Risos.Mas os livros didáticos simplesmente a ignoram, (eventualmente citam Zumbi) pois a história é machista e racista também. Por motivos que não cabe falar aqui, em 6 de Fevereiro de 1694 após batalha sangrenta onde muitos negros foram mortos, Dandara encurralada por aqueles homens brancos, SE ATIRA para o abismo do alto de um penhasco em um ato de RESISTÊNCIA:
ESCRAVA NÃO!
Mas ela ainda vive! Sim!
Quando uma preta entra para a Universidade:
Dandara vive.
Quando não nos conformamos com o lugar que eles acham que devemos ficar:
Dandara vive.
Quando contamos a sua historia:
Dandara vive.
E não é a fala de UMA negra angolana, que vai apagar toda uma história ou silenciar o movimento negro. Pessoas negras que falam de vitimismo e mimimi, deveriam se envergonhar e se desculpar com estes que vieram lutaram e resistiram no passado. A escravidão ainda não acabou,agora as algemas são outras..
Então sigamos lutando!
Porque Dandara vive em nós!
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